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Check-up preventivo: cuidar da saúde antes dos sintomas poupa tempo, recursos e vidas

O tempo pode ser um fator determinante no diagnóstico de algumas doenças, como o câncer. Por isso, tão importante quanto conhecer o próprio organismo e perceber quando há algo errado é manter o check-up preventivo em dia.

Diagnosticar cedo é tratar mais rápido, gastar menos e aumentar as chances de cura.

O alerta é da Maria Betânia Beppler, especialista em Clínica Médica do Hospital Angelina Caron (HAC). “Diagnosticar cedo é tratar mais rápido, gastar menos e aumentar as chances de cura. Quando temos essa possibilidade, evitamos complicações, internações e até cirurgias desnecessárias”, diz.

E é um assunto ainda mais necessário, segundo ela, sobretudo após a pandemia da covid-19, responsável por um “grande vácuo na prevenção”. Muitos exames, segundo ela, nunca retornaram aos níveis de antes do isolamento, o que é especialmente ruim quando se trata de doenças crônicas e de câncer.

Para cada fase, uma recomendação
A médica reforça, no entanto, que cada idade e cada condição física vão pedir um check-up diferente. Para os jovens adultos, a partir dos 20 anos, o mais importante é uma consulta detalhada, que avalie estilo de vida, saúde mental e fatores de risco, aponta.

“A literatura médica não recomenda check-ups anuais para adultos saudáveis e assintomáticos, por exemplo”, diz. “E entre 30 e 79 anos, o foco é calcular o risco cardiovascular, e não pedir exames em excesso”, completa.

A partir dos 40 anos, há a necessidade de rastreamento de diabetes e o início da pesquisa para o câncer de intestino. Dos 50 em diante, mamografia (para as mulheres) e colonoscopia se tornam ferramentas fundamentais de prevenção, avalia Maria Betânia, que também é Coordenadora do Serviço e do programa de residência em Clínica Médica HAC.

Algumas condições pedem abordagem distinta no check-up
Histórico familiar, estilo de vida e gênero mudam completamente a necessidade de exames. “Algumas doenças simplesmente são mais prevalentes em grupos específicos — e o check-up deve refletir isso”, lembra a médica.

Entre os exemplos mais comuns estão:

  • Homens: maior prevalência de infarto, AVC, hipertensão e doenças cardiovasculares em geral, sobretudo após os 50 anos.
  • Mulheres: maior risco de doenças autoimunes, hipotireoidismo, osteoporose e alguns tipos de câncer específicos, como o de mama e colo do útero.
  • Pessoas com histórico familiar positivo: risco aumentado para câncer (mama, intestino, pele, próstata), doenças cardiovasculares precoces, diabetes tipo 2, hipertensão, doenças tireoidianas e distúrbios psiquiátricos.
  • Pacientes com sobrepeso, má alimentação e sedentarismo: maior probabilidade de diabetes, pressão alta, colesterol elevado, apneia do sono e doenças renais.
  • Fumantes ou ex-fumantes: risco aumentado de doenças pulmonares, cardiovasculares e alguns tipos de câncer.
  • Pessoas expostas ao sol sem proteção: maior incidência de câncer de pele e lesões pré-malignas.



Prevenção também é mudança de hábitos
Ainda que haja recursos e seja importante manter exames e consultas em dia, Maria Betânia destaca: “Não existe check-up milagroso: existe avaliação bem feita e mudança de hábitos”, avisa. Isso significa priorizar sono, alimentação, água e relações saudáveis, com bom manejo do estresse.