Estrabismo vai além da estética: saiba mais sobre os riscos, sinais e tratamentos
Popularmente conhecido como vesguismo, o estrabismo é um desalinhamento ocular – para dentro, para fora, para cima ou para baixo – que pode afetar o desenvolvimento da visão.
Ou seja, muito além do incômodo e do possível bullying na escola, a condição precisa de atenção e tratamento. Quem faz o alerta é a oftalmologista do Hospital Angelina Caron (HAC), Sara Guimarães Belo. Ela explica que o estrabismo pode levar à ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, em que um dos olhos não desenvolve a visão de forma completa.
“Ele também pode impactar o desenvolvimento infantil e o desempenho escolar, já que muitos casos estão associados a erros refrativos, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, que necessitam de correção com óculos”, acrescenta.
Sinais de alerta do estrabismo
A médica reforça que os pais precisam ter atenção para alguns sinais que podem indicar a condição, como o ato de fechar um dos olhos ao ar livre, na exposição ao sol, o desvio de um dos olhos para fora ou para dentro quando a criança está cansada ou com sono e o relato da visão dupla.
A doença pode surgir a partir dos seis meses de vida, após os dois ou três anos de idade e, ainda, na fase adulta, de acordo com a especialista. Prematuridade e histórico familiar estão entre os fatores de risco que devem ser observados junto a esses sinais.
Diagnóstico precoce é fundamental
De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), os principais testes utilizados na avaliação do estrabismo incluem o teste de Hirschberg, que analisa o reflexo da luz nos olhos; o teste de Krimsky, que utiliza prismas para medir com maior precisão o grau do desvio; e o teste de cobertura (cover test), que observa o movimento ocular ao alternar a oclusão dos olhos.
Sara indica que a identificação seja feita até os sete ou oito anos de idade. “O primeiro exame, também conforme as diretrizes da SBOP, deve acontecer entre os 6 meses e 1 ano de idade e depois entre os 3 aos 5 anos”, indica.
Tratamento ou cirurgia de correção
Com o diagnóstico fechado, começam as dúvidas sobre as melhores abordagens. A especialista do HAC diz que tudo vai depender do tipo de estrabismo a ser tratado: o protocolo pode incluir apenas o uso de óculos, óculos associados à cirurgia ou somente cirurgia.
“O uso de óculos ou terapia é indicado quando há necessidade de correção de erros refrativos, como hipermetropia, astigmatismo ou miopia, associados ao estrabismo. A cirurgia é indicada nos casos em que o estrabismo não é corrigido apenas com óculos ou quando o desvio é grande ou está se agravando”, diz. De modo geral, avalia, o tratamento apresenta bons resultados. “A cirurgia, por exemplo, tem uma taxa de sucesso em torno de 80% a 90%.”