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Obesidade é doença crônica e exige tratamento especializado e acompanhamento contínuo

Mais de 60% dos brasileiros adultos vivem com excesso de peso e cerca de um em cada quatro já têm obesidade, segundo dados de pesquisas nacionais de saúde e monitoramentos do Ministério da Saúde. O avanço da doença, considerada crônica e multifatorial, tem levado especialistas a reforçar a importância de diagnóstico precoce e tratamento adequado. 

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No mês em que se lembra o Dia Mundial da Obesidade (4 de março), o médico Pedro Henrique Caron cirurgião do aparelho digestivo e nutrólogo do Hospital Angelina Caron, alerta que o cuidado vai muito além de dieta e exercício e pode envolver acompanhamento multidisciplinar, medicamentos e até cirurgia bariátrica, dependendo do quadro clínico de cada paciente.

O que é a obesidade?

A obesidade é uma doença crônica, multifatorial e de difícil controle. Com ela, também podem ocorrer outros problemas como hipertensão, diabetes, colesterol alto, gordura no fígado, problemas ortopédicos, apneia do sono e doenças cardiovasculares, além de alguns tipos de câncer. 

“Por isso, é uma doença que precisa de avaliação e tratamento especializado, de preferência, com uma equipe multidisciplinar”, destaca Caron.

Como se determina o melhor tipo de tratamento?

Caron lembra que apenas a partir de uma avaliação individual do paciente e das suas preferências é possível determinar o melhor tipo de tratamento. São verificadas questões como o histórico de saúde, o peso, altura, o índice de massa corporal e comorbidades relacionadas como diabetes, hipertensão e gordura no fígado.

“Sempre vamos pensar em uma mudança dos hábitos de vida, como dieta, atividade física”, destaca o médico. Além disso, podem ser prescritos medicamentos, tratamentos endoscópicos, como balão gástrico ou ainda sutura gástrica e através da cirurgia bariátrica e metabólica. 

Canetas emagrecedoras e cirurgia bariátrica: quando cada tratamento é indicado

As chamadas canetas emagrecedoras têm ganhado popularidade, mas fazem parte de um conjunto maior de opções terapêuticas para o tratamento da obesidade. Esses medicamentos foram desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e atuam em hormônios ligados ao controle da glicose e da saciedade. 

De modo geral, podem ser indicados para pacientes com índice de massa corporal (IMC) a partir de 27, especialmente quando há doenças associadas, e costumam ser utilizados principalmente em casos de sobrepeso ou obesidade mais leve, geralmente entre IMC 27 e 35.

No entanto, o uso exige avaliação médica cuidadosa. Entre os possíveis efeitos colaterais estão náuseas, vômitos, refluxo gastroesofágico, formação de cálculos na vesícula e, em casos mais raros, pancreatite. 

Além disso, trata-se de um tratamento que costuma ser contínuo e de longo prazo, o que também exige considerar o custo e a adesão do paciente ao longo do tempo.

Já a cirurgia bariátrica é indicada principalmente para pacientes com IMC acima de 40 ou acima de 35 quando há doenças associadas, como diabetes ou hipertensão. Em alguns casos específicos, como diabetes tipo 2 de difícil controle ou doença hepática gordurosa avançada, o procedimento também pode ser considerado a partir de IMC 30. 

Existe ainda a chamada cirurgia metabólica, indicada para pacientes com diabetes grave e difícil controle clínico, com o objetivo de reduzir o risco de complicações graves da doença.

Cirurgia robótica amplia segurança no tratamento da obesidade

Entre os avanços no tratamento cirúrgico da obesidade, a cirurgia robótica tem se destacado por oferecer mais precisão e segurança durante o procedimento. A tecnologia permite ao cirurgião realizar movimentos mais delicados e com melhor visualização da área operada.

Segundo Caron, isso pode trazer benefícios importantes para o paciente. “A cirurgia robótica permite uma recuperação mais rápida, menor dor no pós-operatório e, em muitos casos, menor risco de complicações, como infecções ou sangramentos”, explica.

O método pode ser utilizado em diferentes perfis de pacientes, mas costuma trazer vantagens principalmente em casos mais complexos. “Pacientes com IMC muito elevado, acima de 50, ou aqueles que precisam realizar uma cirurgia revisional — quando a pessoa já passou por uma bariátrica anteriormente — podem se beneficiar ainda mais da tecnologia robótica”, destaca o médico.

Obesidade exige informação, empatia e tratamento contínuo

O especialista reforça a importância de ampliar a conscientização sobre a doença e combater estigmas.

“A obesidade não é uma escolha ou falta de força de vontade. É uma doença crônica, complexa e que exige acompanhamento ao longo da vida. Felizmente, hoje existem diferentes opções de tratamento que podem ajudar o paciente a recuperar a saúde e melhorar a qualidade de vida”, conclui Caron.