Síndrome do túnel do carpo e artrose: por que mulheres são mais afetadas e como aliviar os sintomas
Mais comuns entre mulheres, doenças como a síndrome do túnel do carpo (STC) e a artrose já afetam milhões de brasileiras e podem comprometer movimentos simples do dia a dia, como escrever, digitar ou segurar objetos.

Estudos citados pela Revista Brasileira de Ortopedia apontam que elas têm até cinco vezes mais risco de desenvolver a STC, que provoca dor, dormência e perda de força nas mãos e nos punhos.
No caso da artrose, um estudo global publicado na revista científica BMJ Global Health aponta que a incidência de artrose entre mulheres após a menopausa cresceu mais de 130% no mundo entre 1990 e 2021, evidenciando o impacto do envelhecimento populacional e das mudanças hormonais na saúde das articulações.
A médica Marcela Penna, ortopedista, traumatologista e cirurgiã da mão do Hospital Angelina Caron (HAC), fala mais sobre os sintomas e formas de amenizar os incômodos causados pelas duas condições.
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Como identificar a síndrome do túnel do carpo?
Uma sensação de formigamento na palma e na maior parte dos dedos da mão pode ser um sinal de STC. A especialista do Angelina Caron explica que isso acontece em função da compressão do nervo mediano do punho na região chamada de túnel do carpo.
“Esse nervo é responsável pela sensibilidade da maior parte dos dedos (polegar, indicador, médio e porção radial do anular) e pela inervação da musculatura específica do polegar na função de oposição”, conta.
A sensação de perda de força pode fazer com que a pessoa derrube objetos leves, como telefones celulares, xícaras ou até mesmo ter dificuldade de pegar e sentir objetos
pequenos. Dor e choque na palma da mão também são sintomas relatados por alguns pacientes e, em casos mais avançados, até mesmo a perda do movimento de pinça (polegar e indicador) e modificação completa da sensibilidade destes dedos (parestesia fixa), reforça a médica.
Quais os sintomas da artrose?
A artrose é um processo degenerativo das articulações, causando perda de cartilagem e consequentemente dor, desgaste e deformidades articulares. Entre os sintomas mais comuns estão a dor articular pela manhã ou após o uso intenso da articulação, acompanhada de rigidez nos movimentos.
Marcela alerta para o aumento de volume articular, visto em articulações menores como nas mãos, e em casos mais avançados, para a perda de mobilidade e deformidades.
Mulheres na pré e pós-menopausa exigem atenção
A STC tem uma incidência maior em mulheres, especialmente na faixa dos 50 anos, em função da menopausa. A mudança no padrão hormonal pouco antes e durante esse período pode causar aumento da espessura do ligamento transverso do carpo (teto do túnel) o que contribui para a diminuição do espaço do túnel gerando compressão das estruturas internas, como o nervo mediano.
Porém, condições como a obesidade, diabetes, doenças da tireoide e uso de esteroides (substâncias para ganho de massa muscular ou melhoria de performance esportiva) podem ser causas do aparecimento da doença em mulheres mais jovens.
A artrose é mais comum em idosos (acima de 60 anos) por conta do desgaste natural das articulações e sobrecarga também, mas pode ocorrer em pacientes mais jovens devido a trauma e padrões genéticos.
Hábitos que podem aumentar os riscos
No caso da STC, Marcela destaca que há vários fatores envolvidos, entre eles, manter o punho muito dobrado para cima ou para baixo por muito tempo, o que pode diminuir o espaço dentro do túnel do carpo e favorecer a compressão do nervo.
A postura é frequentemente adotada durante o uso prolongado de celulares e computadores ou até mesmo dormindo. Embora o uso de equipamentos não seja o
suficiente para causar a condição, a médica indica as pausas e a mudança do posicionamento do punho.
No caso de artroses, o próprio uso das mãos em atividades laborais, diárias e esportivas pode causar o desgaste articular. Portanto, pausas e alongamentos são recomendados.
Tratamentos possíveis e medidas de prevenção
O diagnóstico inicial é importante nos dois casos. Na STC, se não houver intervenção nas causas ou tratamento, a doença vai apresentar evolução. Em casos leves, o tratamento clínico é feito com o uso de antiinflamatório e órtese noturna.
A médica acrescenta que alguns pacientes podem responder bem com reabilitação ou infiltração para aliviar os sintomas, mas não são intervenções curativas. “O tratamento cirúrgico é a opção curativa da doença a longo prazo”, avalia.
No caso da artrose, Marcela recomenda o uso de medicamentos ou órteses para controle da dor. “Terapias analgésicas também podem ser uma opção de ajuda, mas infelizmente não existe um medicamento que seja curativo e diminua o avanço da degeneração”, acrescenta.
Caso qualquer um dos sintomas relatados perdure por muito tempo e não melhore com medidas simples ou afete a qualidade de vida do paciente, é necessário buscar um
diagnóstico com um ortopedista ou cirurgião de mão.

