Cirurgia robótica é opção segura para o tratamento de hérnias abdominais
A cirurgia robótica tem ampliado as possibilidades de tratamento das hérnias da parede abdominal, oferecendo mais precisão durante o procedimento e favorecendo uma recuperação mais confortável para o paciente.
A técnica é considerada uma opção segura, especialmente em casos mais complexos, desde que haja indicação adequada e equipe especializada.
O médico Daniel Ferrarin, cirurgião geral e do aparelho digestivo do Hospital Angelina Caron (HAC), explica que nem toda hérnia exige cirurgia imediata, mas ressalta que a única forma de tratamento definitivo é a correção cirúrgica.
“A indicação depende dos sintomas, do tamanho da hérnia e do risco de complicações, devendo ser avaliada por um cirurgião”, afirma.
O que são as hérnias abdominais e quais os tipos mais comuns
A hérnia da parede abdominal ocorre quando há um enfraquecimento ou abertura na musculatura do abdômen. Isso permite que gordura ou parte do intestino se projetem para fora, formando um abaulamento. De acordo com o médico, ela pode ser congênita ou adquirida ao longo da vida.
Os tipos mais comuns são:
- Inguinais: representam cerca de 75% dos casos e ocorrem na região da virilha;
- Umbilicais: surgem na região do umbigo e são o segundo tipo mais frequente;
- Epigástricas: aparecem na linha média do abdômen, entre o umbigo e o osso do tórax (esterno), ao longo da linha alba;
- Incisionais: desenvolvem-se sobre cicatrizes de cirurgias anteriores.
O risco é maior em pessoas com obesidade, idade avançada, tabagismo, gestação, esforço físico intenso, tosse crônica ou histórico de cirurgias abdominais.
Como identificar e quando optar pela cirurgia
Os principais sinais são o aparecimento de um abaulamento na parede abdominal, dor, desconforto ou aumento do volume ao fazer esforço.
“Se a hérnia ficar endurecida, muito dolorosa, não retornar para dentro do abdômen ou vier acompanhada de náuseas e vômitos, é necessário procurar atendimento de urgência”, alerta Ferrarin.
A cirurgia é recomendada quando a hérnia provoca sintomas, aumenta de tamanho ou apresenta risco de complicações. Em muitos casos, segundo o especialista, ela também é indicada para pacientes assintomáticos, já que a tendência é que a hérnia aumente com o tempo.
Adiar o tratamento pode levar ao encarceramento ou ao estrangulamento da hérnia, situações em que o conteúdo fica preso e pode perder a irrigação sanguínea, exigindo uma cirurgia de urgência.
Ferrarin explica que, na prática da cirurgia, considera-se que hérnia diagnosticada é hérnia operada, justamente porque a correção realizada de forma eletiva apresenta baixos índices de complicações, enquanto os procedimentos de emergência costumam envolver riscos maiores.
Cirurgia robótica amplia precisão e segurança
A cirurgia aberta continua sendo indicada em casos selecionados e é realizada por meio de uma incisão maior sobre a hérnia. Já a videolaparoscopia utiliza pequenas incisões, proporcionando menos dor e recuperação mais rápida.
Segundo o médico, a cirurgia robótica segue os mesmos princípios da videolaparoscopia, mas acrescenta recursos tecnológicos que ampliam a precisão do procedimento.
Entre eles estão a visão tridimensional, instrumentos com maior amplitude de movimentos e melhor visualização dos tecidos, fatores que facilitam a reconstrução da parede abdominal, especialmente em hérnias complexas, grandes, recidivadas ou incisionais.
“A tecnologia permite uma dissecção mais delicada dos tecidos e pode proporcionar menos dor no pós-operatório, retorno mais precoce às atividades e menor risco de complicações da ferida operatória. Além disso, há menor chance de conversão para uma cirurgia aberta quando comparada à videolaparoscopia”, explica.
Quem pode se beneficiar
O especialista destaca que a cirurgia robótica pode ser indicada para praticamente todos os pacientes com hérnia abdominal, especialmente aqueles com obesidade, múltiplas cirurgias prévias ou defeitos maiores da parede abdominal.
Segundo ele, o fator determinante para um bom resultado é a indicação adequada e a experiência da equipe cirúrgica.
“A escolha da técnica leva em consideração diversos fatores, como o tipo e o tamanho da hérnia, cirurgias prévias, condições clínicas do paciente e os objetivos do tratamento”, reforça.
Mas é importante deixar claro que não existe uma abordagem única que seja ideal para todos os casos. “Por isso, a avaliação individualizada é fundamental para definir a estratégia mais segura e oferecer o melhor resultado possível, com menor risco de complicações e recuperação mais rápida”, conclui.