Utilidade Pública

Cigarro eletrônico é mais seguro que o convencional? Conheça os principais mitos sobre o fumo

Por · 26/8/2026

A ideia de que o cigarro eletrônico seria uma alternativa mais segura ao cigarro convencional ganhou força com a popularização dos chamados vapes, especialmente entre os jovens.

Mas a ausência de fumaça e de cinzas não significa ausência de riscos. Embora os dispositivos não funcionem por meio da queima do tabaco, o aerossol inalado pode conter nicotina, partículas, metais e outras substâncias potencialmente prejudiciais à saúde.

“O aerossol não é só ‘vapor’”, lembra o pneumologista Irinei Melek, do Hospital Angelina Caron (HAC). Segundo o especialista, os dispositivos aquecem um líquido que geralmente contém propilenoglicol, glicerina vegetal, aromatizantes e, na maioria das vezes, nicotina.

A substância é responsável pelo desenvolvimento da dependência e também pode aumentar a frequência cardíaca, a pressão arterial e afetar os vasos sanguíneos. O alerta é especialmente importante quando se celebra o Dia Nacional de Combate ao Fumo, em 29 de agosto.

Quais as diferenças entre cigarro e vape?

 - Combustão: o cigarro convencional queima tabaco e gera fumaça com mais de 7.000 substâncias, sendo 70 cancerígenas. O vape não queima, ele vaporiza.
 - Substâncias: o cigarro tem alcatrão e monóxido de carbono. O vape não. Mas gera outras substâncias do aquecimento do líquido.
 - Cheiro e cinzas: O vape não produz cinzas nem o mesmo odor forte do cigarro.

Vape não faz mal?

O médico destaca que existe uma diferença importante entre ser potencialmente menos prejudicial em alguns aspectos e ser seguro.

Para um fumante adulto que não consegue abandonar o cigarro convencional e faz uma substituição completa pelo cigarro eletrônico, a exposição a determinadas substâncias tóxicas pode ser menor. “Mas menos pior não é necessariamente seguro”, diz.

A preocupação ganha ainda mais força quando o assunto são os adolescentes. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 mostram que 29,6% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico, percentual que era de 16,8% em 2019.

O vape pode causar aumento de risco de bronquite, asma, lesão pulmonar associada ao vape, inflamação, disfunção endotelial e aumento do risco cardiovascular.

O cigarro eletrônico não causa dependência?

Causa, sim. A principal responsável pela dependência é a nicotina, presente na maioria dos cigarros eletrônicos.

“Alguns dispositivos entregam nicotina de forma ainda mais rápida e em doses maiores que o cigarro, com sais de nicotina. Isso causa um pico cerebral rápido e reforça muito a dependência”, explica Melek.

O risco pode aparecer tanto para quem já fuma quanto para quem nunca teve contato com o cigarro convencional. Para fumantes, a substituição pelo vape pode manter a dependência de nicotina.

Já entre adolescentes e jovens que não fumavam, o contato com os dispositivos pode representar uma porta de entrada para o consumo da substância.

Quem quer parar de fumar deve trocar o cigarro pelo vape?

Não é recomendado encarar o cigarro eletrônico como uma solução automática para abandonar o tabagismo. Para quem deseja parar de fumar ou deixar o vape, o acompanhamento profissional pode ajudar a identificar o grau de dependência, os fatores que dificultam a interrupção e a estratégia mais adequada para cada caso.

“O profissional vai avaliar grau de dependência, comorbidades, e indicar o melhor
tratamento. Não existe ‘receita única’”, explica Melek.

Entre as estratégias utilizadas no tratamento da dependência de nicotina estão a terapia de reposição de nicotina, medicamentos e acompanhamento comportamental, conforme avaliação profissional.

O objetivo é interromper a dependência, e não apenas substituir um produto por outro.

E no Brasil, o cigarro eletrônico é permitido?

Não. A fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda dos dispositivos eletrônicos para fumar são proibidos no país. A Anvisa mantém a proibição e atualizou as regras em 2024.

Mesmo com a restrição, os produtos continuam circulando, o que reforça a importância da fiscalização e da informação, especialmente para evitar o acesso por crianças e adolescentes.

A melhor escolha é não começar

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, a orientação é válida tanto para quem fuma cigarro convencional quanto para quem utiliza cigarros eletrônicos: não existe consumo seguro de produtos derivados do tabaco e a nicotina pode causar dependência.

“A mensagem principal é: nenhuma forma de fumar ou vaporizar é segura”, afirma Melek. Para quem já faz uso desses produtos, buscar ajuda profissional pode aumentar as chances de abandonar a dependência.

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