Neurocirurgia

Hospital Angelina Caron realiza primeira aplicação de polilaminina por uso compassivo e amplia possibilidades terapêuticas para pacientes com trauma raquimedular

Por Comunicação · 7/8/2026

Uma jovem vítima de um grave acidente automobilístico tornou-se a primeira paciente a receber polilaminina no Hospital Angelina Caron por meio de um programa de uso compassivo. A mobilização de uma equipe multidisciplinar permitiu que todas as etapas clínicas, científicas e regulatórias fossem concluídas dentro da janela necessária para a realização da terapia.

A paciente deu entrada no Pronto-Socorro com diagnóstico de trauma raquimedular agudo, lesão que comprometeu os movimentos e a sensibilidade dos membros inferiores. Após avaliação conforme os protocolos internacionais de atendimento ao trauma (ATLS), exames de imagem confirmaram uma fratura vertebral com indicação cirúrgica. A equipe de Neurocirurgia realizou rapidamente o procedimento.

Além do tratamento convencional, os profissionais avaliaram a possibilidade de inclusão da paciente em um programa de uso compassivo de polilaminina, uma terapia ainda em investigação científica. Após análise criteriosa, foi confirmado que ela preenchia todos os critérios necessários, iniciando uma corrida contra o tempo para cumprir as exigências regulatórias e viabilizar o tratamento.

A aplicação foi realizada pelo neurocirurgião Dr. Bruno Côrtes, do Rio de Janeiro, tornando-se a primeira realizada no Hospital Angelina Caron e a 20ª dentro do protocolo de pesquisa da terapia no Paraná. 

Quando cada minuto faz diferença

Nos casos de trauma raquimedular, o tempo pode influenciar diretamente as possibilidades terapêuticas disponíveis.

Segundo a médica intensivista Dra. Fernanda Augusta Ferreira de Resende (CRM-PR 26.854 | RQE 30.735), a rapidez com que todo o processo foi conduzido foi decisiva para que a paciente pudesse receber a terapia.

"A agilidade foi fundamental porque essa terapia é estudada para ser aplicada o mais precocemente possível. Em casos de trauma raquimedular, cada etapa do atendimento precisa acontecer com rapidez e integração entre as equipes".

Desde a chegada da paciente ao hospital até a cirurgia e a aplicação da substância, profissionais do Pronto-Socorro, Neurocirurgia, Centro Cirúrgico, UTI e equipes assistenciais atuaram de forma integrada para cumprir, em poucas horas, todas as etapas clínicas e regulatórias necessárias para o procedimento.

O que é a polilaminina e como ela atua?

A polilaminina é uma biomolécula desenvolvida a partir da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e importante para a organização dos tecidos e do sistema nervoso. Ela vem sendo estudada como uma terapia experimental para pacientes com trauma raquimedular agudo, buscando criar um ambiente mais favorável à recuperação das conexões nervosas lesionadas.

De forma simplificada, a substância atua como um suporte biológico no local da lesão.

"A polilaminina funciona como um substrato para os axônios, estruturas responsáveis pela comunicação entre os neurônios. A proposta é favorecer um ambiente em que essas conexões possam tentar se reorganizar após o trauma", explica Fernanda Resende.

Além disso, pesquisas investigam seu potencial para modular a resposta inflamatória após a lesão e preservar células nervosas ainda viáveis. Embora os resultados iniciais sejam considerados promissores, a polilaminina continua sendo uma terapia em investigação clínica, restrita a protocolos de pesquisa e situações específicas autorizadas pelos órgãos reguladores.

Por que a aplicação precoce é importante?

Após um trauma na medula espinhal, os danos não se limitam ao momento do acidente. Nas horas seguintes, processos como inflamação, edema, morte celular e formação de tecido cicatricial podem ampliar a lesão. É justamente nessa fase que terapias como a polilaminina estão sendo estudadas.

"A proposta é que a substância seja aplicada antes que esse processo esteja estabelecido, oferecendo um suporte biológico que possa favorecer a reorganização das conexões nervosas e minimizar os danos secundários provocados pela lesão", explica a médica.

Por isso, o atendimento rápido e integrado é essencial para que o paciente tenha acesso a todas as possibilidades terapêuticas indicadas para o seu caso.

O que é uso compassivo?

A paciente recebeu a polilaminina por meio de um programa de uso compassivo, modalidade regulamentada pela Anvisa que permite, em situações específicas, o acesso a medicamentos ou terapias ainda em investigação para pacientes com doenças graves ou sem alternativas terapêuticas satisfatórias.

Cada paciente é avaliado individualmente e precisa atender a critérios clínicos, científicos, éticos e regulatórios rigorosos. No caso da polilaminina, a autorização depende do cumprimento dos requisitos do protocolo e da análise de elegibilidade realizada pela equipe médica. O uso compassivo não significa que a terapia esteja aprovada para uso rotineiro, mas que pode ser utilizada em situações específicas sob rigoroso acompanhamento clínico e regulatório.

A polilaminina faz o paciente voltar a andar?

A polilaminina não é uma cura para a lesão medular e, até o momento, não há comprovação científica de que permita a recuperação completa dos movimentos. Atualmente, a terapia permanece em investigação clínica, e os estudos buscam avaliar sua segurança e seu potencial benefício em pacientes com trauma raquimedular agudo.

Por isso, é importante compreender quais são as expectativas reais em relação ao tratamento.

"A polilaminina não representa uma garantia de que o paciente voltará a andar. O que está sendo estudado é seu potencial para minimizar os danos provocados pela lesão e favorecer a recuperação de algumas funções, sempre associado a um processo intenso de reabilitação".

Segundo a médica, mesmo recuperações parciais podem representar ganhos importantes na qualidade de vida, como recuperar parte da sensibilidade, perceber diferenças de temperatura ou restabelecer alguma função neurológica. Independentemente da terapia, cirurgia, cuidados intensivos, fisioterapia, terapia ocupacional e acompanhamento multiprofissional continuam sendo pilares do tratamento.

Ciência, pesquisa e esperança baseada em evidências

Todos os tratamentos incorporados à prática médica passaram por um processo rigoroso de pesquisa antes de demonstrarem segurança e eficácia. Com a polilaminina, esse caminho ainda está em andamento. A substância tem despertado o interesse da comunidade científica, mas continua sendo investigada para que seus benefícios, limitações e indicações sejam confirmados por evidências robustas.

Para a Dra. Fernanda Resende, esse processo é essencial para ampliar as possibilidades terapêuticas de pacientes com lesões de alta complexidade.

"A medicina nunca para de evoluir. Todos os tratamentos que hoje fazem parte da prática clínica começaram com pesquisa. A polilaminina é uma terapia promissora, mas ainda está sendo estudada. É justamente a pesquisa científica que permitirá confirmar, ou não, seus benefícios", destaca.

A especialista reforça que o objetivo da pesquisa não é criar falsas expectativas, mas buscar alternativas que possam reduzir os impactos da lesão medular e contribuir para a recuperação funcional dos pacientes, sempre associadas a um programa estruturado de reabilitação.

Atendimento especializado em trauma e neurocirurgia

O Hospital Angelina Caron é referência em atendimento de alta complexidade e conta com equipes especializadas em trauma, neurocirurgia, medicina intensiva, ortopedia, reabilitação e diversas outras áreas. Casos de trauma raquimedular exigem diagnóstico rápido, tratamento especializado e atuação integrada para oferecer ao paciente as melhores possibilidades de recuperação.

Mais do que um marco para o Hospital Angelina Caron, essa primeira aplicação simboliza o encontro entre ciência, pesquisa e cuidado. Em um cenário em que a lesão medular ainda representa um grande desafio para a medicina, iniciativas conduzidas com rigor científico, responsabilidade e ética contribuem para ampliar as possibilidades terapêuticas e fortalecer o desenvolvimento de tratamentos que possam beneficiar pacientes no futuro. 

#Polilaminina #trauma raquimedular #lesão medular #neurocirurgia #trauma #pesquisa clínica #pesquisa científica