Cuidar da saúde também é conhecer os seus riscos
Trabalho, família, compromissos, responsabilidades, planos. A rotina pede muito das mulheres e, no meio de tudo isso, é fácil deixar para depois aquilo que diz respeito à própria saúde. Mas saúde também precisa entrar na agenda.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama em brasileiras, só em 2026. Uma doença multifatorial sendo a idade como um dos principais fatores de risco, mas aspectos hormonais, reprodutivos, comportamentais, ambientais e genéticos também podem influenciar o desenvolvimento da doença.
Por isso, falar sobre prevenção e diagnóstico precoce também significa entender que cada mulher pode ter um perfil de risco diferente.
Alguns fatores podem aumentar a probabilidade de desenvolver câncer de mama. Entre eles estão o envelhecimento, o excesso de gordura corporal, o consumo de bebidas alcoólicas, o sedentarismo e determinados fatores relacionados à história reprodutiva e hormonal.
Há também os fatores genéticos e hereditários.
Uma parcela dos casos de câncer de mama está relacionada a uma predisposição hereditária. Os genes BRCA1 e BRCA2 estão entre os mais conhecidos nesse contexto. Alterações nesses genes podem aumentar o risco de câncer de mama e de ovário.
Isso não significa que uma pessoa que tenha uma alteração em BRCA necessariamente desenvolverá câncer. Significa que ela pode apresentar um risco aumentado e, por isso, pode precisar de acompanhamento individualizado.
BRCA: quando o histórico familiar merece atenção
Ter casos de câncer na família não significa, por si só, que exista uma mutação genética. Mas alguns padrões merecem uma avaliação mais cuidadosa.
A presença de vários casos de câncer de mama na família, principalmente em idades mais jovens, histórico de câncer de ovário ou ocorrência de câncer de mama em homens pode indicar uma possível predisposição hereditária.
Nessas situações, o médico pode avaliar o histórico pessoal e familiar e, quando houver indicação, encaminhar para aconselhamento genético e investigação de alterações em genes relacionados ao câncer hereditário.
Saber disso pode fazer a diferença, uma vez que mulheres com maior risco podem precisar de um acompanhamento diferente daquele indicado para mulheres com risco habitual.
Mamografia ou ressonância, qual exame é indicado?
Uma dúvida comum é se a ressonância magnética pode substituir a mamografia. Em geral, não.
Para mulheres de risco habitual, o Ministério da Saúde recomenda atualmente o rastreamento com mamografia entre 50 e 74 anos, a cada dois anos. A recomendação foi atualizada em 2025 com base nas evidências disponíveis sobre benefícios e riscos do rastreamento.
Já para mulheres consideradas de alto risco, como aquelas com determinadas mutações genéticas ou forte predisposição hereditária, o acompanhamento deve ser individualizado. Nesses casos, exames adicionais, como a ressonância magnética das mamas, podem fazer parte da estratégia de rastreamento, conforme avaliação da equipe de saúde.
A ressonância é um exame mais sensível, mas isso não significa simplesmente que seja melhor do que a mamografia. Os exames têm características e indicações diferentes e podem ser complementares.
E quando procurar um médico?
Independentemente da idade, é importante conhecer o próprio corpo e perceber mudanças que não sejam habituais. Alterações como nódulo persistente na mama ou na axila, mudanças na pele, retração do mamilo ou saída espontânea de secreção pelo mamilo devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Nem toda alteração significa câncer. Mas uma mudança persistente merece atenção.
Cuidar de si não precisa ficar para depois
Outubro Rosa é uma oportunidade para lembrar que a prevenção não se resume a um exame.
É conhecer os fatores de risco, entender o próprio histórico familiar, manter hábitos que contribuam para a saúde, estar atenta às mudanças do corpo e conversar com profissionais de saúde sobre quais cuidados fazem sentido para cada pessoa.
Neste Outubro Rosa, o convite é simples: coloque você também na sua lista de prioridades.
Perguntas frequentes sobre câncer de mama
O que são os genes BRCA1 e BRCA2?
BRCA1 e BRCA2 são genes envolvidos em mecanismos de reparo do DNA. Algumas alterações nesses genes podem aumentar a predisposição para determinados tipos de câncer, especialmente câncer de mama e de ovário.
Ter uma mutação em BRCA significa que a pessoa terá câncer?
Não. Uma mutação associada ao aumento de risco não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer. Ela indica uma predisposição maior e pode levar à necessidade de acompanhamento específico.
Quem deve investigar uma possível mutação em BRCA?
A indicação depende da história pessoal e familiar. Vários casos de câncer de mama na família, diagnósticos em idade jovem, câncer de ovário ou câncer de mama em homem são exemplos de situações que podem justificar uma avaliação individualizada.
Toda mulher precisa fazer o teste para BRCA?
Não. O teste genético não é indicado indiscriminadamente para todas as mulheres. A necessidade de investigação deve ser avaliada por um profissional, considerando o histórico pessoal e familiar e outros fatores de risco.
Quem tem BRCA precisa fazer ressonância magnética das mamas?
Mulheres com mutações BRCA ou outras condições que as coloquem em alto risco podem ter indicação de estratégias de rastreamento diferenciadas, que podem incluir a ressonância magnética. A conduta deve ser definida individualmente pela equipe de saúde.
A ressonância substitui a mamografia?
Não necessariamente. Em mulheres de alto risco, a ressonância pode ser utilizada como exame complementar à mamografia. A escolha dos exames depende do perfil de risco e da avaliação médica.
Qual é a recomendação atual para a mamografia de rastreamento?
Para mulheres de risco habitual, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento mamográfico entre 50 e 74 anos, a cada dois anos. Mulheres fora dessa faixa ou com fatores de risco específicos podem ter recomendações diferentes, que devem ser discutidas individualmente com um profissional de saúde.
O autoexame substitui a mamografia?
Não. Conhecer as próprias mamas ajuda a perceber alterações e faz parte do autocuidado, mas não substitui o rastreamento ou a investigação indicada por profissionais de saúde.
É possível prevenir o câncer de mama?
Não é possível evitar todos os casos, mas alguns fatores de risco podem ser modificados. Manter atividade física, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, não fumar e manter um peso corporal adequado são medidas associadas à redução do risco.