Câncer de próstata, medo e vergonha ainda afastam homens dos cuidados com a saúde
No Novembro Azul, urologista do Hospital Angelina Caron esclarece dúvidas sobre PSA, toque retal, sinais de alerta e tratamentos, incluindo a cirurgia robótica.
Vergonha, medo do exame e preconceitos relacionados à masculinidade ainda fazem muitos homens adiarem os cuidados com a saúde. Quando o assunto é a próstata, essas barreiras podem atrasar uma investigação importante, especialmente porque o câncer de próstata costuma não apresentar sintomas nas fases iniciais.
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Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 77.920 novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028. É o câncer mais incidente entre os homens brasileiros, quando desconsiderados os tumores de pele não melanoma. Em Curitiba, a estimativa é de 370 novos diagnósticos em 2026.
No Hospital Angelina Caron, o levantamento de 2026 registra 153 procedimentos cirúrgicos urológicos relacionados à próstata. Desse total, 57 foram prostatectomias radicais realizadas com auxílio da cirurgia robótica. Os números contemplam diferentes indicações de tratamento, incluindo condições benignas e malignas da próstata.
Para o urologista Lucas Vicente Andrade, do Hospital Angelina Caron, superar a resistência masculina aos cuidados começa com informação e confiança na relação entre médico e paciente.
“Os principais receios vêm de conceitos do passado, de preconceitos em relação à masculinidade ou até mesmo do medo de sentir dor ou desconforto durante o exame físico”, explica.
Toque retal: por que tantos homens ainda têm receio?
Apesar de ser um procedimento simples, realizado rotineiramente no consultório, o toque retal ainda desperta insegurança em muitos homens. Parte desse receio está relacionada a preconceitos, mas também à falta de informação sobre como o exame funciona.
Uma dúvida frequente, segundo o urologista, é se existe algum tipo de preparação necessária antes da avaliação.
“Muitos pacientes acham que precisam fazer algum preparo para serem examinados, e nem sempre isso é verdade”, comenta.
A orientação é que o paciente compreenda a finalidade do exame, saiba como ele será realizado e tenha espaço para esclarecer suas dúvidas. A consulta deve respeitar suas particularidades e permitir uma decisão compartilhada.
“A melhor forma de superar esse medo é explicar a importância do exame, como ele é realizado e que se trata de um exame físico simples, feito rotineiramente no consultório. Também é preciso respeitar o momento do paciente, em uma decisão compartilhada”, ressalta Andrade.
PSA normal significa que não existe câncer de próstata?
Não necessariamente. Essa é uma das dúvidas mais importantes quando se fala em prevenção e investigação do câncer de próstata.
O PSA (Antígeno Prostático Específico) é uma proteína produzida pela próstata e medida por meio de um exame de sangue. Seu resultado oferece informações relevantes para a avaliação urológica, mas não deve ser analisado isoladamente.
“Nem todo câncer de próstata aumenta o PSA. Essa é a importância do exame físico”, explica o médico.
Da mesma forma, um PSA elevado não significa, necessariamente, que o paciente tenha câncer. Alterações benignas da próstata e outras condições também podem provocar o aumento desse marcador.
Por isso, a avaliação médica pode incluir o toque retal, que permite identificar características da glândula e alterações que mereçam investigação. Quando existe indicação, a confirmação do diagnóstico é feita por meio de biópsia, com análise do tecido prostático.
A interpretação dos exames deve considerar fatores como:
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Idade do paciente;
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Histórico familiar de câncer de próstata;
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Antecedentes familiares de câncer de mama, que podem estar associados a síndromes hereditárias;
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Raça e outros fatores individuais de risco;
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Resultados dos exames e avaliação clínica.
De maneira geral, a conversa sobre investigação individualizada costuma ocorrer a partir dos 50 anos. Para homens com maior risco, como aqueles com histórico familiar da doença ou homens negros, essa avaliação pode começar entre os 40 e 45 anos, conforme orientação médica.
É importante destacar que o INCA e o Ministério da Saúde não recomendam o rastreamento populacional sistemático do câncer de próstata em homens assintomáticos. A decisão sobre realizar exames deve considerar os possíveis benefícios e riscos, com orientação profissional e participação do paciente.
Câncer de próstata pode não apresentar sintomas?
Sim. E esse é um dos principais motivos pelos quais a investigação não deve depender exclusivamente do aparecimento de sinais físicos.
Nas fases iniciais, o câncer de próstata frequentemente não provoca sintomas. Quando as manifestações aparecem, a doença pode já estar em um estágio mais avançado.
“O câncer de próstata, na maior parte das vezes, é assintomático. Esperar aparecerem sintomas pode atrasar o diagnóstico, principalmente nas fases precoces, quando o tratamento adequado pode levar à cura”, alerta Andrade.
Algumas alterações que merecem avaliação urológica incluem:
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Dificuldade para começar a urinar;
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Jato urinário fraco ou interrompido;
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Aumento da frequência urinária;
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Necessidade de levantar várias vezes durante a noite para urinar;
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Presença de sangue na urina.
Esses sinais não indicam necessariamente câncer. Podem estar relacionados ao crescimento benigno da próstata ou a outras condições urológicas. Ainda assim, precisam ser investigados.
O médico também observa que o adiamento da consulta costuma aparecer nos relatos dos próprios pacientes.
“Muitos relatam que conhecem alguém que, por medo ou vergonha, adiou a investigação e acabou tendo o diagnóstico em uma fase mais avançada, o que limita, de certa forma, o tratamento.”
Cirurgia robótica no tratamento do câncer de próstata
Quando o diagnóstico de câncer de próstata é confirmado, a escolha do tratamento depende de uma série de fatores, como estágio da doença, características do tumor, idade e condições clínicas do paciente.
Nem todo diagnóstico exige cirurgia imediata. Em determinadas situações, o acompanhamento ativo pode ser uma alternativa. Em outras, podem ser indicados tratamentos como radioterapia ou cirurgia.
Nos casos em que a abordagem cirúrgica é recomendada, a tecnologia ampliou as possibilidades de tratamento.
O Hospital Angelina Caron dispõe de cirurgia robótica, utilizada em casos selecionados, entre eles pacientes com câncer de próstata localizado.
A plataforma permite que o cirurgião controle instrumentos articulados a partir de um console, com visão ampliada do campo operatório e movimentos de alta precisão.
A tecnologia oferece recursos que auxiliam a execução do procedimento, mas não substitui a experiência da equipe médica nem define, por si só, o melhor tratamento. A indicação precisa ser individualizada, considerando as características de cada paciente e da doença.
Novembro Azul: cuidar da saúde vai além da próstata
O Novembro Azul é uma oportunidade para ampliar a conversa sobre a saúde masculina e incentivar os homens a deixarem de lado o medo e a vergonha na hora de procurar atendimento.
A consulta com o urologista não deve acontecer apenas diante de sintomas ou suspeitas de câncer. Ela também é uma oportunidade de avaliar a saúde de forma integral, esclarecer dúvidas e identificar necessidades individuais de acompanhamento.
Para Lucas Vicente Andrade, a campanha precisa ir além da conscientização sobre o câncer de próstata.
“A saúde do homem vai muito além da próstata. É importante aproveitar esse mês de conscientização para agendar uma consulta, avaliar os exames necessários e cuidar da saúde”, afirma.
E deixa uma mensagem que resume o propósito da campanha: “Saúde também é papo de homem”.
Cuidar da saúde é uma atitude de responsabilidade consigo mesmo. Informação, acompanhamento médico e decisões compartilhadas fazem parte desse caminho.